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Home»Entretenimento»João Fênix fricciona os timbres da voz andrógina em álbum gravado ao vivo em show com o violonista Jaime Alem
Entretenimento

João Fênix fricciona os timbres da voz andrógina em álbum gravado ao vivo em show com o violonista Jaime Alem

abril 14, 2026Nenhum comentário1 Visitas

João Fênix lança o álbum ‘Mapa de tempo ao vivo’ na sexta-feira, 17 de abril, com oito músicas gravadas ao vivo em show na casa Manouche, no Rio de Janeiro (RJ)
Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Mapa de tempo ao vivo
Artista: João Fênix e Jaime Alem
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ É significativo que a canção “Todo homem” (2027), de Zeca Veloso, seja uma das oito músicas selecionadas por João Fênix para o álbum que lançará na sexta-feira, 17 de abril, com recorte de show feito pelo cantor na companhia do violonista Jaime Alem e gravado na casa Manouche, no Rio de Janeiro (RJ).
Afinal, com a voz de contratenor que o faz transitar com naturalidade entre registros graves e adultos, o artista pernambucano antecipou em décadas a tendência de cantores surgidos nos anos 2010 que lançam mão de falsetes, como Tim Bernardes, Zé Ibarra e o próprio Zeca Veloso. Curiosamente, Fênix aciona os graves ao dar voz à canção de Zeca.
A voz andrógina de Fênix o conecta a uma linhagem que inclui o desbravador Ney Matogrosso e o sucessor Edson Cordeiro, revelação dos anos 1990. Não por acaso, Ney participa do álbum “Mapa de tempo ao vivo”, rebobinando em cena o dueto trivial em “Nada mais (Lately)” (Stevie Wonder, 1980, em versão em português de Ronaldo Bastos, 1984) que gravara em estúdio para um dos singles posteriormente agrupados por Fênix no álbum “Pequeno mapa do tempo” (2024).
Coletânea de duetos irregulares, “Pequeno mapa do tempo” gerou o show captado no Manouche para dar origem ao álbum ao vivo editado via Mills Records. Contudo, com exceção da música cantada com Ney Matogrosso, o repertório é outro, a começar por “Pai Grande” (Milton Nascimento, 1969), música que ecoa na abertura do álbum uma espiritualidade cada vez mais presente nas escolhas do artista.
Ancorado no porto seguro do violão de Jaime Além, com quem o cantor trabalha há muitos anos, Fênix fricciona os timbres da voz múltipla, nem sempre com resultado satisfatório.
Há certa estridência no canto de “Jeito de mato” (Paula Fernandes e Maurício Santini, 2009) que dilui a serenidade desse tema ambientado em universo interiorano no qual Jaime Alem, hábil violeiro, fica à vontade. Esse timbre agudo faz o registro de “Canta coração” (Geraldo Azevedo, 1979) remeter em algumas passagens à gravação original da música, apresentada na voz rascante de Elba Ramalho no álbum “Ave de prata” (1979).
Fênix se eleva mais na lembrança de “Ando de bando” (Ivor Lancellotti e Álvaro Lancellotti, 2018), número em que o violão de Alem evoca um universo cigano, entre outras referências citadas na letra desta grande música.
“Ando de bando” apareceu na voz do próprio João Fênix no melhor álbum do cantor, “Minha boca não tem nome” (2018), disco de afirmação e resistência de cujo repertório o intérprete também revive “Meu elemento (É de balé)” (Moreno Veloso e Igor de Carvalho, 2018), ijexá que expõe a forte conexão ancestral entre a Bahia e a África. Ao fim do número, em sintonia com essa ancestralidade, Fênix saúda orixá enquanto Jaime Alem extrai sons percussivos da madeira do violão.
A seleção de repertório do álbum “Mapa de tempo ao vivo” é completada por “Al final de este viaje en la vida”, canção de Silvio Rodríguez que deu título ao álbum de estúdio lançado em 1978 pelo cantor e compositor cubano. Fênix interpreta em espanhol essa canção em que o politizado Rodríguez versa sobre a transcendência e resistência do Homem, em plena luz em meio à morte.
Com mais acertos do que erros, o álbum “Mapa de tempo ao vivo” expõe a resistência da voz andrógina de João Fênix.
Capa do álbum ‘Mapa de tempo ao vivo’, de João Fênix
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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